Aos 96 anos, o padre José Garibaldi Uberti carrega uma história de fé, disciplina e vocação. Natural de Vicente Dutra, no Rio Grande do Sul, ele lembra com carinho da infância, vivida sem dificuldades, em uma família estruturada, onde o pai trabalhava na roça.
Batizado apenas aos dois anos, cresceu em um tempo em que a presença do padre era rara. O mais próximo ficava em Irai e atendia vários municípios e vilas. Quando o sacerdote chegava, crianças e adultos aproveitavam para se confessar. Foi nesse contexto que, aos 11 anos, recebeu do padre Bernardo o convite para seguir a vida religiosa.
Meses depois, o pai o chamou para conversar. Disse que a decisão precisava ser bem pensada. Sem pressão, Garibaldi respondeu que sim, mesmo sem entender totalmente o que significava. Aos 13 anos, foi para o seminário, onde passou cinco anos sem ver a família nem receber visitas.
Ao longo da trajetória, atuou em São Paulo e Curitiba. Depois da ordenação, poderia indicar três países para missão. Pensou em Indonésia, Papua-Nova Guiné e Brasil. Em oração, pediu a Santa Teresa um sinal e escolheu Portugal, justamente um país de que não gostava. Foi o destino definido. Lá permaneceu por 26 anos, dando aulas e atuando em seminários.
Hoje mora em São José do Cedro com uma sobrinha. A irmã, Dileta Uberti, de 93 anos, também vive no município. Neste ano, completa 69 anos de sacerdócio.
Entre as marcas da vida, guarda o conselho do pai, não fazer feio, ou seja, não voltar atrás nas decisões e não agir de forma errada. Também lembra que sempre foi contra injustiças, inclusive no seminário, quando se manifestava contra punições coletivas pelo erro de um só aluno.
Mesmo com problemas de saúde, baixa visão e dores causadas pela herpes zoster, segue lúcido, culto, alegre, brincalhão e fiel à missão.


